Uma Década, Uma Escolha


Uma Década, Uma Escolha

Parando para refletir conforme nos aproximamos do fim de uma década, me vejo lembrando que há 10 anos atrás eu era um estudante de administração esforçado, daqueles que tirava dez e só pensava na faculdade; ao mesmo tempo era assombrado por alguém que eu deixava para trás, pela pessoa que eu deveria ser.

 

Uma das memórias mais vívidas da minha infância é a minha primeira ida ao cinema – fomos eu, minha mãe e meu nonno assistir “O Rei Leão”, os meus anos formativos eu passei em sets de comerciais como ator mirim – interessado pelos bastidores, em especial pelo trabalho do diretor - visitando locadoras de vídeo e bancas de jornal com o meu pai, absorvendo filmes e quadrinhos. Assistindo Chaplin a “Mortal Kombat” com meus avós, e desde que me conheço por gente, meu grande sonho sempre foi contar histórias, fazer filmes. Então, por isso tudo e muito mais, foi uma surpresa quando, apesar de sempre ter tido o apoio total de toda minha família e zero pressão para tal, escolhi não fazer faculdade de cinema, mas sim de administração quando chegou a hora.

 

Um semestre e duas semanas depois e não tinha mais jeito, a vontade, a vocação, falariam mais alto, eu precisava ouvir meu coração, era necessário seguir o meu dom. Optei por arriscar tudo e prestar vestibular para cinema. Por sorte eu tenho pais maravilhosos que me apoiaram completamente. Eles sabiam que esta escolha era o que me faria feliz, mesmo com todas as incertezas de uma carreira nas artes. Vocês são os melhores, sempre. Muito obrigado por toda a força, amor e paciência!

 

Sei que muitas pessoas dizem que não é necessário fazer faculdade de cinema para seguir nessa carreira, e em parte elas tem a sua visão, porém, foi na faculdade que refinei meu olhar, que lapidei o meu talento e que vivi experiências únicas e reais, algo que considero essencial para qualquer contador de histórias. Mas com certeza o mais importante de tudo, o maior legado dos tempos da faculdade, foram as amizades que eu fiz ali. Nessa vida, nessa carreira, é de suma importância estar rodeado de pessoas que te incentivem, te inspirem, que te passem desafios, mas que também saibam fazer críticas construtivas, daquelas que te fazem um profissional e uma pessoa melhor. Eu tenho a sorte imensa de ter conhecido essas pessoas e de ainda manter uma amizade gigante com elas. Helio, Leo, Abud, Solon, Jessyca, Camilo, Re, Ortona, estou falando de vocês. Muito obrigado por tudo, sempre.

 

A faculdade, apesar de tudo, nem sempre nos prepara para o quão necessário é ser perseverante e resiliente nesta carreira. Para cada projeto, para cada criação, uma penca de “nãos” vem em seguida e é preciso saber lidar com isso. E foi assim que minha vida mudou para sempre em 2016, quando fiquei entre os 20 finalistas do Festival de Curtas da TNT, mas não entre os ganhadores. Apesar de tudo – perdão pelo clichê – para cada porta que se fecha outra se abre. Neste mesmo ano, semanas depois, foi de uma amizade improvável, surgida no Instagram graças ao nosso amor mútuo pelo grande Mazzaropi, que o amado amigo Gui Pereira me deu a oportunidade de trabalhar pela primeira vez em um longa, “Coração de Cowboy”. E foi nesse set que vi que estava certo em nunca desistir do meu sonho e reencontrei forças para seguir focado na minha escolha, na minha carreira. Foi nesse set que aprendi demais e também tive a honra de trabalhar pela primeira vez com grandes profissionais e acima de tudo grandes pessoas, como Allison Lima, Lucca Bertollini, Guy Ayala e a Gisa e o Chico Pereira, além do próprio Gui. Assim fiz eternas amizades. Meu eterno obrigado pela confiança de vocês.

Equipe Coração de Cowboy

 

Hoje, com 10 anos entre mim e a minha grande escolha, posso dizer feliz que trabalho com o que amo, que toda a luta, toda a perseverança, compensou e continua compensando. Nada é fácil nessa vida, porém, é muito melhor e gratificante trabalhar duro para viver algo em que acreditamos. Dirigi curtas, videoclipes, publicidades, e hoje tenho o prazer de trabalhar como produtor, diretor e roteirista na Dodô Filmes, de lançar obras como o clipe “Paranoid” para a minha amada Sarah Keys, que tanto me incentiva e inspira todos os dias, e de saber que estou no caminho certo, crescendo um pouco a cada dia, vencendo a cada dia.

Sei que conselhos nem sempre são grandes coisas, mas se você leu esse texto e quer trabalhar com cinema, te digo que as maiores dicas que posso dar são querer com toda a sua força, nunca desisitir, estar aberto a inspirações diárias, pensar fora da caixa, ser “cara de pau”, filmar sempre que der e o básico, mas muitas vezes deixado de lado, ver filmes, muitos filmes, todos os filmes possíveis e imagináveis. Desistir não é uma opção. A sorte favorece os audazes.

O impossível é nada.