Naves espaciais, tiros e sonhos


Naves espaciais, tiros e sonhos

”You mustn’t be afraid to dream a little bigger, darling.” – Eames, Inception

“If you dream a thing more than once, it’s sure to come true.” Aurora, Sleeping Beauty

Lembro do meu primeiro encontro com o Gui Pereira, como se fosse hoje: ele usava uma camisa xadrez e um cinto com uma grande fivela, no melhor estilo dos cowboys americanos, e trazia debaixo dos braços uma cópia em DVD do curta “The Adventures Of Sheriff Kid Mclain”, que ele havia escrito e dirigido. O curta, uma aventura infantil que se passa nos tempos do western, era inspirado em “Matar ou Morrer”, um dos meus filmes favoritos. Na época eu terminava a montagem de um curta de terror que também dirigi e roteirizei “Ensaio Final”. Nesse encontro falamos muito de filmes que amamos em comum, faroestes, terror, ficção científica e o mais importante, falamos do sonho que nós dois tínhamos de fazer um longa-metragem. Naquele dia falamos mais de sonhos do que de projetos específicos, mas no final da conversa minha intuição me dizia que trabalharíamos juntos em breve.

Nos meses seguintes, a cada encontro e conversa o sonho ganhava traços mais palpáveis à medida em que o Gui Pereira, rascunhava as primeiras linhas de um roteiro sobre um jovem cantor, que estava em busca de inspiração e redenção através da música e que mais tarde se tornaria o roteiro de Coração de Cowboy. Eu percebi imediatamente, que era um projeto artisticamente ambicioso, fruto da visão cinematográfica madura e objetiva dele.

 Com o roteiro pronto surgiu o convite do Gui Pereira, para que eu me assumisse a função de produtor no filme. Eu mal podia acreditar que aquele sonho, discutido meses antes de forma tão informal e sincera se tornaria realidade. Melhor do que transformar o sonho de produzir um filme em realidade, era saber que eu ia debutar com um diretor que tinha os mesmos gostos por filme que eu, que tinha a mesma visão de futuro que eu tinha e que buscava fazer um filme grandioso e direto, inspirado em grandes cineastas como Stallone e Fellini: Coração de Cowboy era um sonho se tornando realidade.

Como produtor, eu poderia tentar explicar o que foi fazer Coração de Cowboy em números: 4 cidades, mais de 150 pessoas no set, profissionais de 2 países diferentes, grandes estrelas do cinema, da televisão e da música sertaneja, mais de 40 dias de produção, meses de pós-produção e uma estreia que fez justiça a todo esse trabalho: o filme abriu em quase 200 salas e permaneceu 2 meses de cartaz. Paralelamente ele ganhou prêmios em diversos festivais internacionais. Mas mesmo com números tão relevantes, os dados ainda são insuficientes para dar a dimensão do que é Coração de Cowboy e isso qualquer pessoa que assistiu ao filme pode dizer. Ver a experiência dos espectadores empolgados a cada nova postagem, sentir a emoção e ver o brilho nos olhos dos meus familiares, amigos e colegas após verem o filme, supera qualquer número e qualquer estatística.

A reação dessas pessoas me fez imediatamente lembrar do meu primeiro encontro com o Gui Pereira, e de como nossos olhos brilhavam falando de nossos ídolos e dos filmes que tanto amamos. Me mostrou que um sonho pode se realizar maior do que ele foi sonhado.

E ainda é só o começo.