Homenagem a Dodô


Homenagem a Dodô

Quem me conhece praticamente não consegue pensar em cinema sem lembrar de mim. Sou apaixonado por esse mundo desde literalmente o berço. Minha mãe sempre conta que quando eu tinha 6 meses de vida ela colocou o VHS de Rocky V para assistir, e eu fiquei completamente vidrado no filme, sem chorar, sem fazer manha, nada. Eu estava hipnotizado por aquilo que viria ser a minha maior paixão: o cinema.

Com 4 anos de idade, eu achei a filmadora dos meus pais e comecei, acreditem se quiser, a minha carreira como cineasta. Lembro de passar finais de semana e as férias fazendo filminhos dos mais diferentes gêneros, a maioria protagonizados pelos meus bonequinhos. Quando não estava com a câmera na mão, eu brincava de “Hollywood” com esses mesmos bonecos, aonde eles eram atores e que protagonizavam diferentes filmes.

Com o passar dos anos, comecei a ler muitos livros e assistir a making off de bastidores. Muito mais do que amar o cinema, eu era fascinado pela magia por trás das câmeras. Eu não era somente apaixonado por filmes, eu era apaixonado pelo mundo por trás das câmeras, pela história do cinema. E essa paixão e curiosidade só aumentou com o decorrer dos anos, até chegar o momento onde eu criei a Dodô Filmes.

Dodô é um nome universal. É o nome de um pássaro que existiu nas Ilhas Maurício até os anos de 1700. Só que pra mim, o nome da produtora tem um significado muito especial. Dodô era como eu chamava minha avó materna. Como eu era o primeiro neto, eu ditei as regras, e todos os meus primos também chamavam minha avó de Dodô. Sempre tive um apoio muito grande da minha família que sempre me incentivou a estudar mais sobre cinema. Com a Dodô não era diferente, e tenho lembranças muito específicas sobre isso.

A Dodô era um pouco “devagar”, na casa dos 40 anos, ela descobriu um meningioma no cérebro, que depois de removido deixou-a um pouco mais lenta dos pensamentos, mas isso não a impedia de ser a pessoa mais doce e especial que eu já conheci na minha vida. Uma das minhas memórias mais antigas é assistir a Batman o Retorno no VHS junto a ela várias e várias vezes. Lembro dela me ligando pra avisar sempre que tinha um filme do Stallone na TV. Um dos favoritos dela era “Pare Se Não Mamãe Atira”. Sempre que esse filme estava na TV, ela ligava pra falar “Ta passando um filme show de bola! Sou fã desse ator!”. Lembro também de toda época de Natal, quando passava “Esqueceram de Mim”, ela sempre perguntava se eu estava assistindo ao 1 ou o 2. E obviamente, algo que me marcou: a única vez que fui ao cinema com ela. Assistimos ao filme “Os Dois Filhos de Francisco”. Todas as coisas que eu mais amo estavam juntas: cinema, sertanejo e a Dodô. Colocar o nome da minha produtora de Dodô Filmes, é um jeito que eu encontrei de homenageá-la e de eternizá-la, e também de inclui-la nessa minha jornada pelo mundo do Cinema.